Cousas da Língua
Dezembro 24, 2009
Navegando pela rede batim com este interessantíssimo texto com o qual não pude resistir a tentação de fazer um -copiar e colar-. Para remendar este plágio, pagarei umas misas ao crego da minha vila -rssss-.
Carta a Marina por causa do galego
Cara Marina,
Informa-me você de que é galega, e que até passou uns anos numa faculdade em Santiago. Pede-me, depois, que reproduza um texto de Daniel Castelao («Un ollo de vidro», um dos seus mais conhecidos), e isto «para que toda a gente perceba», diz você, «que galego não é castelhano, e muito menos, português». Eu vou fazer-lhe essa vontade. Mas a sua última afirmação incita-me a alguns esclarecimentos.
Galego não é castelhano? Claro que não. O galego é, até, mais antigo do que o castelhano, porque mais evoluído, e portanto com uma história mais longa. Galego não é português? Claro que não, também. Mas houve um tempo em que galego e português eram, sem espaço para dúvidas, uma só língua. Simplesmente, o português sofreu, entre 1450 e 1700, uma drástica remodelação, feita sobre o figurino castelhano. O galego conservou por mais tempo a feição medieval comum, e só mais recentemente acabou minado pela língua do Estado. Já vê: estas duas profundas castelhanizações, primeiro a do português, depois a do galego, ainda por cima bem diferentes uma da outra, criaram entre galego e português um fosso que muitos consideram já intransponível. Eu não. Mas não nos apressemos.
*
Galego não é português. Concordo. Mas não do mesmo modo que não é castelhano. A diferença entre galego e castelhano, ou castelhano e português, essa diferença é fundamental. Trata-se de duas línguas diferentes. A diferença entre português e galego é doutra ordem. Vamos a uns exemplos.
O castelhano diz Esto es de tus padres. O português e o galego dizem Isto é dos teus pais. Um miúdo castelhano diz Yo quiero mi conejito. Um miúdo, seja ele da Corunha ou de Faro, diz Eu quero o meu coelhinho (mesmo que escreva «coelliño»). E, milagres dos milagres, galegos e portugueses dizem uma frase destas: Isso é para comermos, se quiseres. É, gramaticalmente, uma frase única em todo o Universo.
Certo dia, um brasileiro de visita à Galiza deu-se conta de que uma minhoca se chamava ali tal e qual como do outro lado do Atlântico, e pronunciou as imortais palavras: «Duas línguas que chamam minhoca à minhoca têm que ser a mesma». E em 2000, no velhinho Terràvista – nos primórdios destas discussões internéticas -, um galego, engenheiro agrónomo viguense, em diálogo com portugueses, escreveu esta frase não menos imortal: «Duas línguas que dizem da mesma maneira ‘Vai pró caralho, filho da puta’ têm necessariamente de ser a mesma».
A mesma língua portanto. Mas…
No romance Longe de Manaus, de Francisco José Viegas, revezam-se, de capítulo para capítulo, o português e o brasileiro, nitidamente, espectacularmente, e isso não obstante uma mesma ortografia. No romance A eternidade e o desejo, Inês Pedrosa escreve, aqui e ali, páginas dum convincente, e magnífico, brasileiro. Assim também (e ainda mais, porque há mais tempo separados), o português e o galego claramente se distinguem, mesmo se ortografados de modo igual.
Falamos, aqui, já não em ‘línguas’ diferentes, mas em diferentes normas dum mesmo idioma, que na Galiza se chama galego, em Portugal português e no Brasil, um dia, brasileiro.
Você sabe que, dum ponto de vista linguístico, só existem ‘variedades’. A certas distâncias entre variedades chamamos ‘dialectos’, a outras distâncias chamamos ‘línguas’. Mas os critérios, para uma coisa ou para a outra, são imensamente fluidos. Quer ver? Compare você os dois textos seguintes (o primeiro apareceu no Público, há umas semanas). Se reparar bem, concordará em que eles se encontram a uma distância… dialectal.
Por um lado, o processo decisório espelha uma clara erosão da legitimidade política e dos seus critérios de oportunidade para decidir questões com um carácter acentuadamente técnico. Por outro lado, muitos dos problemas que há 25 anos eram resolvidos com base em critérios estritamente políticos constituem hoje objecto de estudo de diversas disciplinas científicas.
Por un lado, el proceso decisorio espeja una clara erosión de la legitimidad política y de sus criterios de oportunidad para decidir cuestiones con un carácter acentuadamente técnico. Por otro lado, muchos de los problemas que hace 25 años eran resueltos con base en criterios estrictamente políticos constituyen hoy objeto de estudio de diversas disciplinas científicas.
Está a ver? Do ponto de vista lexical, os dois textos só diferem numa palavra: «resolvidos» e «resueltos». E esta mesma divergência é, se virmos bem, meramente morfológica. Um chinês rir-se-ia de chamarmos a isto duas ‘línguas’.
Fique bem. Amanhã, ou depois, haverá mais.
A Entrevista a Isaac Estraviz
Dezembro 24, 2009
Entrevista feita a Isaac Estraviz tra-lo recente estreio de seu dominio próprio para o dicionário e-Estraviz. Nela, faz um percorrido pelas suas anedotas e suas peripécias para sacar adiante um dos mais completos dicionarios que hoje existem na Galiza. Nesta ligação pode-se dar uma olhada a seu Currículum e sua obra -Isaac Alonso Estraviz-.
A seguer ponho uma das frases da entrevista, para ler a entrevista premer debaixo na ligação.
“O castelhano na Galiza é um invasor e nom se lhe pode conceder o papel que nom lhe corresponte”
Carvalho Calero
Dezembro 23, 2009
No próximo ano 2010 compriran-se cem anos desde o nascimento de Ricardo Carvalho Calero. Escritor e filólogo galego comprometido com a língua até a sua morte.
« As fronteiras políticas nom podem impor estranjaria a
formas dialectais, ou simples falas, do mesmo idioma.
O labordano é basco, o roselhonês é catalám, o aranês é
gascom, o valom é francês, o flamengo é neerlandês,
como o mexicano e o argentino som espanhol.
Nestas condiçons, o galego nom pode viver de costas ao
português, pois o Minho nom é uma fronteira lingüística…»
Carvalho Calero
O Apalpador
Dezembro 23, 2009
Neste Natal o Concelho de Compostela vem de promover a figura mitológica do Apalpador. Já há uns anos que este pessoeiro vem sendo promovido por diversas associções culturais galegas tais como A Gentalha do Pichel o Portal Galego da Língua, entre outras. Já ia sendo tempo que as instituições se for comprometendo com as tradições e com os costumes própios da Galiza. No entanto, é seguro termos que suportar ainda diversas figuras do Natal alheias ao nosso País.
Benigno Andrade Garcia (Foucelhas)
Outubro 26, 2008
Cem anos fizo esta quarta-feira da morte do guerrilheiro antifranquista. Benigno nasceu no lugar das Foucelhas -o qual dá origem a seu alcume- na freguesia de Cabrui, concelho de Mesia, foi assassinado polos franquistas a garrote vil o 7 de Agosto de 1952, na prissom da Corunha.
Depois de esta introduçom, fago-me varias perguntas: Se Foucelhas nascera em Euskal Herria ou na Catalunha tardariam tanto os jornais -nom só os de corte nacionalista- em falar de jeito aberto de este homem que deu sua vida pola libertade?…quanta gente da Galiza conhece a história do Foucelhas?…ou…quantos galegos dizem que o gerrilheiro galego nom era mais que um bandido?. Bem, provalmente se Foucelhas nascera em Euskadi ou na Catalunha teria um monumento e seria homenageado todos os anos, namentras na Galiza houvo que esperar a que o Estado Espanhol abrira fossas comuns e claro também houvo que falar do foucelhas prà preencher uns quantos jornais, ainda assim, cuido que algumhos jornais “Espanholistas” da Galiza tiverom coidado de nom falar muito.
Sempre adiante com a Bilharda!
Setembro 16, 2008
A Selecção Galega da Bilharda enfronta-se a Selecção da Alemnha este Sábado em Riba d’Eu (Comarca da Marinha Oriental).
Fico contente ao ver esta nova no jornal galego Vieiros, um jogo tradicional da Galiza como a Bilharda ao qual jogarmos quando nenos alguma vez, está-se convertendo em um espectáculo mundial. Mas, o mais importante é que aquí os galegos não temos que andar a rifar com a Espanha prà poder jogar um partido internacional, jogamos com quem queremos e por que nos peta! … Saude a Bilharda e que dure.
Ler artigo: Vieiros
Autodeterminação
Setembro 14, 2008
Falando com um companheiro no día de ontem sobre se é viável à autodeterminação na Galiza, chegamos à conclução que nos días de hoje não é possível tal coisa no nosso país.
Segundo ele, -precisamos de quinze anos mais de tempo, paises como a Catalunha ou Euskal Herria levam esse tempo a mais-.
Suponho que esta frasse não tem nada em especial e é perfeitamente razoável tendo em conta a realidade da nossa Galiza, no entanto, semelha incrível que uma nação como a nossa com toda a sua história o seu caracter próprio, língua de seu … etc, etc. Tenha que esperar todo esse tempo e sempre no melhor dos casos. A coisa parece coincidir claramente com o anos de governo rancio de Dom Manuel Fracha ao sumir-nos neste atraso respeito doutros países peninsulares.
Quenta-se-me o corpo só de pensar que teria acontecido senão perdêramos esse tempo, se o povo galego houvera espertado do seu sono, se a nação galega escutara os queixumes dos pinheiros… Pois, possívelmente eu não estivera arestora a escrever isto.
A guerra da loira ex-sociata
Setembro 6, 2008
Éramos poucos e apareceu Rosa da Espanha metendo mais lenha ao lume na Galiza. Segundo o Vieiros, à Rosa da Espanha diz: Não nos interessa a indentidade dos galegos, assim de clara foi esta senhora que não há muitos anos era socialista até a médula. O meu pensamento imediato é o seguinte, como se possa ter tanta face para chegar a um país como a Galiza e ceivar semelhante barbaridade?, não me colhe na cabeça que algúm galego/ga possa dar-lhe um só voto a alguém que despreza a nação galega desse jeito.
Nem siquer a direita mais rancia e reaccionária , da que noutrora padecemos os galegos, se estreveu a dizer algo assim. Possivelmente a senhora esta venha a Galiza na procura de espanhois para a sua cruzada nacional-espanhola mas cuido que vai voltar ao seu país de valdeiro.
Ler artigo: Vieiros
Sergio González “O galego é um dialecto”
Agosto 29, 2008
Sergio González: “O galego é coma o asturiano. Non son idiomas. Eu creo que son dialectos”. Vieiros
Assim de rotundo foi o jogador do Deportivo da Corunha e jogador da Selecção da Catalunha. Como galego sego sem dar crédito às palavras dum senhor que joga na Galiza e fala desse jeito sobre de uma língua que deconhece.
Ler mais: Veiros
Televições portuguesas aprovadas
Agosto 27, 2008
Cito íntegro o arquivo da Revista Portugaliza sobre à aprovação das radios e televições por parte do parlamento galego a proposta do B.N.G.
Fonte: Movimento Defesa da Língua e alterações próprias.
Pouco a pouco, demandas históricas do lusismo-reintegracionismo como nesta ocasião, vão socializando-se e são utilizados os mesmos argumentos exprimidos ao longo de muitos anos pelo Movimento Defesa da Língua, pela antiga Assembleia da Língua e pela Plataforma pola Recepçom das Rádios e TVs portuguesas na Galiza. Passado dia 9 de Abril de 2008 aprovava-se por unanimidade no Parlamento galego uma proposição não de lei apresentada pelos deputados do BNG Bieito Lobeira e Modesta Riobó em que se acordava o seguinte solicitar na Galiza a recepção das TVs e Rádios portuguesas.
Ligaçõe para vê-lo video do parlamento da Galiza: Revista Portugaliza
